Em diferentes tons de amarelo, azul, laranja e marrom, centenas de borboletas voam no borboletário do Zoológico de Brasília. O espaço, que, em 2025, completou 20 anos, é um convite para o público entrar em contato e conhecer 11 espécies desse inseto. O local reproduz características naturais para a melhor adaptação dos bichos. Com uma estrutura de telas, laguinhos e diferentes plantas, o espaço atrai cerca de oito mil frequentadores por mês.
Entre as espécies, destaca-se a borboleta-coruja pela grande quantidade e pela aparência. O nome popular faz referência ao desenho nas asas, que se assemelha aos olhos abertos dessa ave noturna. Ainda nas asas, os padrões também formam a cabeça de uma cobra, com olhos e narinas. Essas características conferem ao animal um aspecto ameaçador responsável por afastar predadores.
Reunidas na parte sombreada e úmida do espaço, as borboletas-coruja podem ser vistas voando e pousadas em massa em frutas apodrecidas, alimento dessa espécie. Quando se sentem ameaçadas, elas abrem as asas, evidenciando um tom vibrante de azul. Trata-se de outra característica responsável por evitar predadores. O uso de cores para se proteger não é exclusivo dessa espécie. Apesar de encantarem pela beleza, os tons chamativos desses insetos sinalizam aos outros animais que elas têm um gosto ruim.

Para passear pelo ambiente, os visitantes entram com um educador ambiental, responsável por guiar o grupo e dar mais detalhes sobre esses insetos. O chefe do Núcleo de Artrópodes do Zoo, Renan Cassemiro de Sousa, 33 anos, explica que esse acompanhamento é fundamental para a educação ambiental. O objetivo do espaço imersivo é fazer com que as pessoas aprendam sobre o valor das borboletas e possam sair da experiência capazes de passar informações para outras pessoas.
“O que a gente faz é abrir essa porta para o público entender o porquê de as borboletas estarem entrando em extinção. Em Brasília, temos muito privilégio, mas se você for para outros lugares, onde há muita agricultura, já não é mais possível ver borboletas. Quem é mais velho lembra que, antigamente, era possível ver vários desses bichos. Hoje em dia, a gente não tem mais a oportunidade de ver tantas”, relata Sousa.
O especialista, que descreve as borboletas como os diamantes do Cerrado, diz que, diante de ameaças como a mudança climática e a destruição de habitats, o Zoológico atua como uma forma de preservar esses animais. “Uma borboleta que está aqui vai substituir, na questão da educação ambiental, as outras que estão fora. Se esse bicho sumir da natureza, a gente tem um banco genético dele aqui”, explica.
O tratador Alan Rodrigues, 33, também destaca a importância da educação ambiental. “Eu acredito que ela é fundamental. Vejo que, em Brasília e no Brasil como um todo, há uma carência muito grande em compartilhar essas informações. Se pararmos para pensar, cada vez mais a gente vem destruindo os espaços desses animais de uma forma que, hoje, a gente não consegue mais ver esses bichos na cidade”, reflete.
Cuidados
Ele conta que cuidar das borboletas é um trabalho que exige muita dedicação. Seu interesse por esses pequenos animais se desenvolveu no Zoológico, mas sua curiosidade vem desde a infância por causa de sua mãe, que cuida de um jardim. “Ela adora plantas e flores. Sempre tem uns animais que visitam a gente. É algo bem legal”, comenta.

A também tratadora Gorete Leão, 58, detalha como funcionam os cuidados com as borboletas. No borboletário, é possível ver pequenos pontos brancos que contrastam com o verde de algumas plantas. Esses são os ovos colocados pelos insetos nas plantas hospedeiras. Cada espécie faz esse processo em uma planta específica. As espécies conhecidas como Sara, de asas longas em azul, preto e branco, e Júlia, que tem asas laranjas, colocam ovos apenas em pés de maracujá, por exemplo.
Todos os dias, os tratadores coletam esses ovos e levam para a Casa de Criação, outro espaço no Zoológico onde as borboletas passam pela fase larval e de metamorfose. Quando já viraram borboleta, elas são liberadas no local. Gorete conta que, há dias, em que eles recolhem mais de cinco mil ovos.
Para Gorete, esse trabalho é muito gratificante. Segundo ela, a mágica do lugar está em sua beleza e em como o trabalho delicado é feito. “Eu acho que o carinho que a gente tem com o manejo daqui é o que faz o borboletário ser especial. Este é o lugar que mais tem frequentadores do Zoo. A beleza também é responsável por atrair vários visitantes. O verde, os laguinhos com os peixes, tudo deixa o borboletário muito bonito”, avalia.
O borboletário funciona de quarta-feira a domingo, das 9h às 12h e das 13h30 às 15h30. Para conhecer, basta comprar o ingresso de visitação do Zoo. É importante ficar atento porque, em dias de chuva, o local é fechado. Isso acontece porque as borboletas se escondem embaixo das folhas.
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates