A Igreja Yayang, uma rede de igrejas domésticas na China, passou a enfrentar uma intensificação da repressão estatal em dezembro de 2025, período em que cristãos se preparavam para celebrar o Natal. Cristãos locais relataram detenções, apreensões de bens e ações policiais consideradas atípicas na província de Zhejiang, onde a igreja atua há anos.
Um cristão da região afirmou que membros foram levados à força durante as operações. “Os cristãos foram levados à força, e até os veículos estacionados na igreja foram apreendidos por vários dias. Em certo momento, a polícia invadiu a casa de um cristão, revirando tudo em busca de ‘provas’, deixando a família apavorada”, relatou.
A Igreja Yayang tem resistido à política estatal de “sinicização da religião”, que impõe adaptações às práticas religiosas. Segundo cristãos locais, a igreja se recusou a cumprir exigências como remover a cruz do prédio, hastear a bandeira nacional, instalar câmeras de vigilância e impedir a participação de menores de idade nos cultos. Essa posição tornou a comunidade um ponto de atenção das autoridades.
Em dezembro, um dos principais locais de reunião da Igreja Yayang foi cercado por um grande contingente de agentes, incluindo policiais, forças especiais, tropas de choque e bombeiros. Cristãos relataram que mais de 200 pessoas foram detidas no local. A maioria foi liberada em até 24 horas, mas mais de vinte líderes e obreiros permaneceram presos sob acusações descritas como arbitrárias. Advogados que tentaram atuar na defesa relataram dificuldades e obstruções no acesso aos detidos.
Líderes cristãos locais afirmaram que a situação gerou apreensão entre os fiéis: “Nossos irmãos e irmãs estão enfrentando pressão implacável e precisam urgentemente das orações de todos. Mesmo que Satanás se enfureça, cremos que tudo está sob a soberania de Deus. No meio da tempestade, o Senhor caminha conosco”, declararam.
As tensões aumentaram após o fechamento do prédio principal da Igreja Yayang. Cristãos informaram que o local foi cercado por andaimes e barricadas, com a presença de máquinas pesadas, como guindastes e escavadeiras. Câmeras de vigilância foram instaladas em várias direções, e não há confirmação oficial sobre as próximas medidas, como a remoção da cruz ou eventual demolição da construção.
Cristãos da região relataram que pessoas passaram a ser levadas para interrogatório após comentários feitos nas redes sociais sobre a igreja. Um fiel afirmou que há monitoramento constante. “Alguns cristãos e suas famílias estão sendo vigiados, e qualquer tentativa de contato pode gerar envolvimento. As autoridades seguem pressionando, tentando encontrar algo que possa ser usado em acusações contra os cristãos detidos”, declarou.
A organização Missão Portas Abertas informou que acompanha a situação e divulgou orientações de oração. A missão pediu intercessão pelos cristãos da Igreja Yayang, pelos líderes detidos e por suas famílias. “Ore para que o Senhor preserve os cristãos, concedendo paz, unidade e sabedoria. Interceda pelos que estão presos, pela saúde deles e para que sua fé seja fortalecida. Peça consolo do Espírito Santo às famílias e que Deus use cada situação para salvar vidas e glorificá-lo por meio do testemunho da igreja”, afirmou a organização em nota.