“É uma sensação única; não tenho palavras.” É assim que Ana Carolina Almeida, de 25 anos, descreve a emoção de segurar o filho, Bernardo, junto ao peito. Calmo e tranquilo, o bebê prematuro aconchega-se dentro da roupa da mãe, sentindo o calor do contato direto com a pele. O gesto faz parte do Método Canguru, uma linha de cuidado voltada para o acolhimento do recém-nascido e de sua família, especialmente em casos de prematuridade e baixo peso.
A técnica baseia-se no contato pele a pele entre bebê e cuidadores, ao respeito das individualidades, ao envolvimento da mãe e do pai e ao apoio à amamentação. “É uma forma segura de colocar o recém-nascido em contato com a pele de seus responsáveis”, resume a enfermeira Juliana Dantas, da Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal (Ucin) do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).
Benefícios
Entre as diversas vantagens, o Método Canguru reduz o tempo de separação entre a criança e a sua família, possibilita maior confiança e competência dos pais, proporciona estímulos sensoriais positivos e melhora o desenvolvimento do bebê.
“A posição oferece um ambiente sensorial muito próximo ao que o bebê teria dentro do útero, além de estar ouvindo e sentindo o cheiro dos pais, coisas que são muito fáceis de ele reconhecer”Ludmylla de Oliveira, enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hmib
O contato pele a pele ajuda, ainda, no controle de temperatura, estabilidade do recém-nascido, da frequência cardíaca e respiratória e dos sinais vitais. Também atua na diminuição do estresse e da dor e melhora o ganho de peso.
“A posição oferece um ambiente sensorial muito próximo ao que ele teria dentro do útero, além de estar ouvindo e sentindo o cheiro dos pais, coisas que são muito fáceis de ele reconhecer”, detalha a enfermeira Ludmylla de Oliveira, da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) do Hmib.
A posição não é restrita aos hospitais ou internações, podendo ser replicada em casa. “Para fazer o contato pele a pele, não há nenhuma contraindicação”, indica Juliana Dantas. “O método recomenda que a posição seja feita pelo máximo de tempo possível, que tanto o bebê como o cuidador fiquem à vontade.”
Laise de Jesus, 22, não conhecia o método. Quando experimentou com a primeira filha, Laura Cecília, quis tentar mais de uma vez. “É o que ela [a bebê] mais gosta”, conta. “Fica o tempo todinho. Percebo-a mais tranquila, confortável e segura”.
Como fazer
O contato pele a pele começa na separação do material: um top ou tecido macio, de preferência algodão, que dê sustentabilidade e segurança para que o responsável faça suas atividades diárias.
O bebê deve ser colocado em posição vertical, só de fralda, com a barriga em contato com o tórax da mãe, pai ou cuidador. Os braços ficam flexionados próximos à boca para dar conforto; a cabeça, lateralizada para qualquer dos lados; e as pernas, em “M”, com os joelhos um pouco mais acima das nádegas — uma posição similar àquela em que o bebê estaria dentro do útero.
*Com informações da Secretaria de Saúde